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Relato final

 

Quando idealizamos um projeto é por que temos dentro de nós vontades e desejos, mas nem sempre as principais vontades e desejos são aqueles diretamente ligados ao projeto em si. A Expedição das Confluências seria uma espécie de palco para o verdadeiro objetivo: uma jornada de autoconhecimento, atingir as confluências seria um subproduto desta aventura da mesma forma que foi a preparação, quando se elaborou a idéia, o roteiro e os preparativos.

Como foram saborosas as horas passadas sobre os mapas, imaginando como seria na realidade aquelas linhas impressas no papel; as horas trabalhadas na preparação da bagagem e sua fixação na bike, mas teve tambem a angustia de ver a chuva cair sem parar, durante dias, obrigando a uma espera forçada. Então finalmente amanheceu um dia claro e de sol brilhante e pude da inicio a minha jornada.

Manhã do primeiro dia antes de Nazaré Paulista

Os plano para o primeiro dia seria pedalar uns 80 quilômetros, sendo a maior parte em asfalto. Saindo de Mairiporã, segui direção a Nazaré Pta por uma estrada em péssimo estado de conservação e ainda sob o efeito do "campo gravitacional de casa", quando as duvidas e incertezas nos assolam. Com paciência e pedalando num ritmo moderado cheguei em Nazaré Pta, onde fiz uma parada para um lanche, logo em seguida entre na Rod. D. Pedro, sentido Via Dutra e fiquei muito feliz ao sentir um forte vento a favor, permitindo-me seguir acima de 30 km/h no plano.

Neste trecho comecei a sentir o meu maior obstáculo: o calor. Um sol forte e implacável judiava sem dó nas subidas, mas mesmo assim cheguei em Igaratá com a excelente média horária de 20 km/h no trecho da Rod. D. Pedro. Entrei na cidade e procurei por um local em que pudesse comprar algumas frutas, infelizmente encontrei apenas um mercadinho com umas frutas passadas, sem opção, comprei três bananas e três laranjas, água mineral e um iogurte, o qual tomei ali mesmo.

Desiludido pela falta de boas frutas, sai imediatamente da cidade, tomando rumo a São Francisco Xavier, por uma estrada que eu tinha passado à alguns meses atras de carro e em sentido contrario. Naquela ocasião eu já estava usando o GPS, mas por falta de experiência não tinha gravado o tracklog (registro de caminho), apenas os waypoints (pontos de referencias) das bifurcaçãos, entretanto sobrepondo estes waypoints sobre o mapa tracei o suposto caminho por onde devia passar e carreguei no GPS.

Parada para descanso logo após Igaratá

A menos de um quilometro depois de entrar na estrada de terra, achei um local agradável para descansar e me alimentar, era uma floresta de eucaliptos no topo de um morro. Fiquei ali por umas três horas sob os pequenos eucaliptos, açoitados por um constante vendaval, esperando o sol dar uma trégua, então prossegui para achar um local onde pudesse montar acampamento. O traçado do caminho no GPS ia se mostrando perfeito, mas de repente notei que eu me afastava do traçado indicado, sem no entanto deixar de seguir a principal, a qual me recordava ter passado de carro, aí me lembrei que o mapa mostrava várias opções e eu havia plotado aquela que tinha a cor indicando como estrada principal, mas o mapa é de vinte anos atrás e as coisas mudam. Logo depois voltei a seguir o caminho plotado no GPS, pois realmente nestes anos todos a via principal mudou.

Oitos quilômetros depois de Igaratá cheguei num ponto bastante conhecido por quem faz passeios de bike saindo do Bairro do Pião: o Bar do bilhar junto a bifurcação que leva ao Bairro do Pião e a São Francisco Xavier, deste ponto em diante o caminho me é bastante conhecido e comecei a visualizar mentalmente o caminho a frente para achar uma opção para o pernoite, pois restavam menos de duas horas de claridade, passei diante da porteira da Faz Morro Azul e logo em seguida estava sobre uma ponte de concreto com um rio perfeito para aquele banho frio antes de dormir, mas como tinha várias casas próximas descartei o local para o pernoite e segui em frente.

exp_confl_foto3.jpg (45012 bytes) A Ponte logo após a Faz. Serra Azul

Após enfrentar um subida meio longa, vi uma estrada abandonada que segui por entre um calipal para o topo do morro, com certeza lá em cima seria um local interessante para o pernoite, mas sem água para o banho. Pensei em subir, montar acampamento e descer até aquele rio da ponte de concreto para o banho, mas ao tentar abri a porteira de arame que havia no começo da estrada abandonada, percebi que a mesma estava fechada de forma a dificultar a sua abertura, o que daria bastante trabalho, considerei aquele obstáculo como um aviso de que deveria abandonar esta opção de local para o pernoite, então prossegui.

Já estava no Bairro da Cruz Branca, quando o GPS indicou o ícone do pernoite que eu tinha aleatoriamente marcado no tracklog e como sinal de boa sorte, mais adiante passei sobre uma ponte de madeira e vi a esquerda um bambuzal, mesmo sendo muito perto da estrada, havia atrás deste um espaço razoável para manter acampamento e foi o que eu fiz.

Muitos me perguntam se não é perigoso pernoitar assim tão perto da estrada, e eu sempre digo que é mais seguro que andar pela cidade de São Paulo, a fauna brasileira não tem animais de grande porte perigosos, sobra somente as cobras com as quais sabendo lidar não corremos perigo, quando as pessoas, basta que ninguém nos veja entrar dentro do mato, pois uma vez lá dentro ninguém irá entrar lá a esmo, todos andam pelas estradas e não tem o costume de ficarem olhando para dentro do mato a toa e além do mais, o povo que vive na zona rural é pacifico.

Após montar acampamento fui até o rio tomar aquele banho refrescante, mas as características da margem não me possibilitavam uma fácil mobilidade, tive que descer por uma vala de escoamento de água da estrada e tinha muito barro junto a água, meus pés afundaram neste até acima do tornozelo. Na saída tive que fazer uma acrobacia para escapar do tal barro e sair com os pés um tanto limpo, por sorte consegui.

A noite veio chegando e as cigarras faziam uma cantoria estridente, misturando seu canto com os dos sabias e outros pássaros, deitado dentro da rede ficava vendo os pernilongos tentando desesperadamente entrar através da tela e sugarem meu sangue e eu só tirando um sarro dos idiotas. Estava estranhando o fato de não estar com fome e mesmo sabendo que precisava me alimentar não o fiz, talvez por causa que o que tinha para comer era só biscoitos e doces.

Neste acampamento estava usando pela primeira vez um isolante térmico de espuma de poliuretano e o mesmo estava sendo uma excelente opção, proporcionando além do isolamento, um conforto para as irregularidades do solo. O saco de dormir de emergência, feito de plástico aluminizado era a única coisa um pouco desagradável, pois ao mexer neste o barulho era irritante, mas parecia que iria aquecer.

Estar fora da situação normal do dia-a-dia, razoavelmente confortável, mas isolado num ambiente extremamente rústico sem ter nada a fazer, a não ser esperar o sono chegar, começamos a notar os sons que nos rodeia, aos poucos as cigarras foram se calando e dando lugar as pererecas e grilos, lá pelas dez horas apenas sapos e rãs coaxavam o seus sons mais graves e num daquelas acordadas que acontecia quando me virava dentro do saco de dormir, já de madrugada, percebi que agora tudo estava silencioso.

Na manhã seguinte acordei e como de dentro da rede pouco se via, não pude determinar como estava o tempo, mas parecia estar bem nublado e aquela preguiça me fez ficar deitado mais um bom tempo, enfim levantei acampamento e comecei a pedalar pouco antes da nove horas e a nebulosidade era causada por uma camada de neblina que estava se dissipando e logo o sol começou a castigar.

Logo após a saida do primeiro acampamento

Quando eu disse ao meu amigo Anderson Cunha que ia tirar férias e pedalar, ele respondeu: tirar férias e carregar pedra. Para mim o fato de fazer uma viagem de bike não é o sacrifício, mas as condições em que esta se dá, agora com este intenso calor eu estava me sentindo carregando pedras, então por que eu não saí mais cedo? Forçar-me a levantar cedo e perder aqueles deliciosos momentos de relaxamento matinal seria também carregar pedras, estava estabelecido um dilema e em algum lugar tinha uma coisa incorreta.

Parada ao lado de uma bica sob o forte calor do segundo dia

O meu rendimento era bastante lento, mesmo a estrada não tendo muitas subidas, logicamente que isto era causado pela pouca alimentação, mas onde estaria a fome?? Lá pelas onze horas eu comecei a chegar perto da primeira confluência S23º / W46º, entretanto o acesso para alcança-la era através de uma propriedade e pelo que eu via tinha muita subida e esta confluência estaria em meio a um reflorestamento de eucalipto. Para complicar tinham no meu caminho para São Francisco Xavier uma subida de cinco quilômetros, disse adeus a confluência e segui meu caminho.

Lugar da confluência S23º / W46º

A subida do Lavras é longa porém não muito forte, quando se está em boas condições físicas ela é até gostosa, ou melhor, talvez seja, pois nunca consegui passar por ela em boas condições, sempre que a subi, estava nas ultimas e hoje que deveria ser diferente, já que eu comecei a pedalar a menos de 25 km daqui, não estava sendo, me sentia debilitado e enfraquecido pelo calor e má alimentação. Fui subindo lentamente e parando sempre debaixo de árvores para aproveitar a sombra, então tive a idéia de só pedalar quando uma nuvem encobrisse o sol, isto diminuiu meu sofrimento, mas levei duas horas para atravessar aquela serra. Lá em cima me senti feliz, agora era quase somente descida até São Francisco Xavier.

Durante a descida fui pensando no que fazer quanto a próxima pernoite e decidi que seria melhor ficar em uma pousada em São Francisco Xavier, jantar aquela comida caseira e recuperar as energias. Depois de quase seis quilômetros de descida cheguei na pequena cidade, as opções de hospedagem são bastante, mas devido aos meus parcos recursos financeiros resolvi ficar na mais barata. Durante o banho notei que a dor um pouco além do comum que eu vinha na virilha era causada por uma assadura um tanto séria, havia saído um bom pedaço de pele, seria preciso apelar para o hipoglós.

Depois do banho saí para comprar o hipoglós, umas frutas para o dia seguinte e comer um lanche, pois a hora do almoça já tinha passado a muito, feito tudo isso voltei para a pousada e comecei o tratamento da assadura e reavaliar a situação. Eu ainda estava em condições de continuar a viagem, mas isto acarretaria em uma possível complicação deste meu ferimento e para diminuir este risco deveria mudar a estratégia de viagem, passando a pedalar poucas horas por dia e optar por pernoites em pousadas, isto porém ia aumentar em demasia os custo e o tempo de viagem, mas a vontade de continuar era grande, então fiquei a espera de algum novo detalhes que pudesse ser decisivo na minha decisão.

Sai para jantar por volta das vinte horas e fui "assaltado" por aqueles que confundem: explorar o turismo com explorar o turista. Durante o jantar constatei que o mesmo prato feito, que a dona do restaurante me cobrou cinco reais, custou para um cidadão do local a metade do preço.

Acordei cedo na manhã seguinte disposto a aproveitar a temperatura amena das primeiras horas da manhã, mas ao chegar ao banheiro senti um forte tontura que me obrigou a apoiar-me na parede para não cair e este foi o detalhe que me fez abortar a viagem, voltei para a cama e fiquei mais um tempo a descansar e comer algo, depois me levantei com cuidado e me senti melhor, arrumei a cosias, passei na padaria para um café com leite e pão com manteiga. Eram dez da manhã quando parti de São Francisco Xavier rumo a Joanópolis, minha intenção era ir até a Fazenda Terras Altas, à 30 km de distância e lá pernoitar.

Aqueles seis quilômetros que eu tinha descido no dia anterior, seriam agora em sentido contrario, mas as coisas não terminam aí, depois desta parte ainda tinha mais outros seis quilômetros e a estrada estava passando por uma manutenção, onde o trator revirava as pedras deixando-as totalmente soltas. Felizmente este serviço era só em dois terço da subida. A sorte estava do meu lado, as nuvens e árvores ao lado da estrada proporcionavam boas sombras, uma bica no meio da subida foi recebida com muita alegria, aproveitei o local para descansar e me alimentar. Estava me sentindo bem, a inclinação amena da subida tornava-a gostosa e aos poucos o ganho de altitude ia sendo percebido, ao final foram mais de 600 metros de desnível.

Nuvens ameaçadoras sobre a Serra da Mantiqueira

Do meu lado direito as encosta da Serra da Mantiqueira e sobre ela via-se nuvens ameaçadoras. Segui mais uns três quilômetros depois do fim da subida, quando os relâmpagos começaram e quase que imediatamente a chuva começou, neste momento eu estava ao lado de uma densa floresta de pinheiros, não tive dúvida e adentrei na mesma para me abrigar. Fiquei sob a capa de chuva por uns quinze minutos até a chuva dar uma trégua, estava para prosseguir quando percebi que o local era muito interessante para um acampamento, mesmo sendo muito cedo optei por ficar ali.

Acampamento no pinheiral

Não havia rio por perto, mas consegui um banho das árvores, onde bastava ficar em baixo delas e balança-las para receber uma chuveirada de água fresca. Fiquei o resto da tarde dentro da rede ouvindo os pássaros e os sons da floresta. Mesmo ficando bastante tempo parado na manhã seguinte me senti muito preguiçoso e comecei a pedalar apenas as dez da manhã, talvez isto de devesse ao fato de que a cada quilômetro eu estava mais perto do fim da viagem. Meus planos não estavam muito definido, pela frente eu tinha uns 120 km até em casa, sendo quase a metade por asfalto. As opções de pernoite eram bastante, deste a Fazenda Terras Altas a poucos quilômetros a frente, as cidades de Joanópolis, Piracaia e até um acampamento.

Saindo do local do acampamento

O trajeto inicial era predominado por descidas e assim passei pela Fazenda Terras Altas, pela Cachoeira dos Pretos e fui parar apenas no Bar do Pedrão uns 16 km antes de Joanópolis, onde almocei. Neste mesmo local também havia opção de hospedagem, mas ainda eram 13 horas e eu poderia ir bem mais longe, as dores eram suportáveis. Chegando em Joanópolis procurei por um belo suco de laranja, mas encontrei apenas fanta, fazer o que, tomei uns goles e guardei o restante para mais tarde, agora eu tinha pela frente 23 km de asfalto até Piracaia e no meio do caminho apenas uma subida longa.

No asfalto eu pude ir aliviando o meu ferimento, usando a marcha mais pesada ia pedalando em pé, evitando sentar o máximo possível, mas o que doía era quando se sentava ou se levantava, pedalar sentado até que não era dolorido. Atingi a ponte que fica antes da subida e parei para um descanso, com o nível da represa muito baixo esta ponte tem apenas um pequeno córrego sob ela, talvez ali fosse uma opção interessante para acampar, desci até lá e fiquei decepcionado, o tal córrego estava com uma água de péssimo aspecto, voltei para a rodovia e prossegui para Piracaia, tendo logo adiante a tal subida.

O calor não estava tão forte neste dia e tirando a assadura, me sentia bem na maior parte do tempo, o ânimo variava de acordo com psicológico, quando este estava em alta o desempenho físico aumentava. Vencida a serra, veio o prêmio, uma deliciosa descida até Piracaia, lá chegando fiquei a pensar em ir para um hotel, mas só iria tentar esta opção se passasse bem diante de um e como isto não aconteceu, parei na saída da cidade onde comprei uns gatorade e descansei um pouco.

De Piracaia eu tinha diversa opções para prosseguir, menos pela rodovia que não tem acostamento e é muito movimentada. Segui até o bairro de Batatuba por uma estrada de terra com poucas subidas, neste trecho procurei por um local para acampar, mas não achei nada que valesse a pena. Em Batatuba eu tinha a opção de seguir direção Atibaia sem nenhuma subida, mas a partir de lá seria pela Rod. Fernão Dias, ou seguir direção Bom Jesus dos Perdões e Nazaré Pta, trecho este mais longo e com várias subidas, o que evitaria a Rod. Fernão Dias, as subidas fizeram a diferença e eu segui para Atibaia.

Quase chegando em Atibaia, encontrei lugares legais para acampar, mas eram propriedades particulares e com moradores, pena. Ao chegar ao trevo do km 68 da Rod. D. Pedro, parei num posto de gasolina para um descanso e troca de camisa, neste momento passavam da dezoito horas. Quando me preparava para sair a chuva começou a cair, aproveitei para tomar um gatorade que eu tinha comprado em Piracaia e comer um powerbar, nisto a chuva diminui, coloquei a capa e parti.

Atravessando Atibaia comecei a pensar em pernoitar em um hotel, passei pelo centro e procurei por informações, pois nunca tinha necessitado pernoitar ali, sendo tão perto de casa, só consegui informação num posto de gasolina junto a praça, o ponto de taxi que era o mais indicado, estava vazio. As informações me levaram a um hotel, que não era nada simples como o frentista tinha me dito, diante da possibilidade da diária ser cara e ainda não ter vaga por ser sexta feira, nem me animei em parar e decidi enfrentar a Rod. Fernão Dias.

Sem muito pensar usei uma saída que tinha um trecho de terra e subidas, mas até que foi interessante e enfim cheguei na rodovia, aí começou a aventura, já noite, a chuva caindo forte, os caminhões passando a toda levantando aquele spray de água e eu tendo que confiar na sorte e na minúscula lanterna pisca-pisca traseira, por sorte eu me sentia bem e animado, mesmo com a chuva não estava frio. A meio caminho parei num posto e comprei uma garrafa de 600 ml de Fanta e senti um forte calor sob a capa, nem bebi o refrigerante ali, guardei-o para mais adiante e parei debaixo do viaduto antes da serra da Terra Preta. Quando reiniciei a pedalada quase fui atropelado por um carro que saiu do trevo do tal viaduto e ao invés de entrar logo na rodovia segui pelo acostamento tirando uma fina de mim, fdp...

Seguindo num ritimo controlado não me sentia cansado ou desanimado, muito pelo contrário, estava curtindo aquela situação, principalmente quando por instante ficava sem passar nenhum veiculo e o silêncio imperava. Cheguei no topo da serra de Mairiporã e fechei a capa de chuva, pois a não queria esfriar demais o corpo, agora vinha uma parte critica, pois sem farol e com velocidade qualquer obstáculo no acostamento traria graves conseqüências, para dificultar o movimento de veículos diminuiu e para evitar o ofuscamento dos veiculo da pista contrária usava a paleta do capacete. Em determinado momento passei por uma placa indicando acostamento impedido, sabia que chegando em Mairiporã havia as obras da duplicação, mas ainda estava longe, então por sorte avistei, com ajuda dos faróis de um carro que veio por trás, o tal acostamento impedido a uma distância bem segura, se não fosse isso eu teria me chocado com os blocos de concretos, ai... só de pensar dá medo.

Para minha surpresa encontrei as pistas liberadas no trevo de Mairiporã o que facilitou a passagem por este trecho, entrei na cidade e me sentia satisfeito e frustrado ao mesmo tempo, tinha conseguido fazer os impensáveis 120 km pela manhã, estava me sentindo em condições e com vontade de seguir mais uns 50 km, mas já estava perto de casa, faltava apenas uma subida longa e forte que foi vencida até que com facilidade.

Assim as vinte duas horas cheguei em casa, tendo pedalado 124 km em 8:25 h. sem paradas e doze horas com parada. Agora fica na espera a oportunidade de realizar a Expedição das Confluências em grupo ou em solitário, mas em uma época do ano mais interessante para pedalar como o inverno.